Outros tempos

"O maior defeito dos livros novos é impedir a leitura dos antigos." (Joseph Joubert)

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Contos, fábulas, facécias e exemplos da tradição popular portuguesa

Contos, fábulas, facécias e exemplos da tradição popular portuguesa


AUTOR(ES): Osório, Ana de Castro, 1872-1935
PUBLICAÇÃO: Lisboa : Soc. de Expansão Cultural, [D.L. 1962]

Facécias
Dito ou acto jocoso que pode ter utilização literária e constituir um género próprio da literatura de tom satírico ou cómico. Uma facécia é, normalmente, uma graça com forte pendor crítico, podendo ser comparada à tradição das cantigas de escárnio e mal dizer da lírica galego-portuguesa



Carlos Ceia, s.v. "Verbete", E-Dicionário de Termos Literários, coord. de Carlos Ceia, ISBN: 989-20-0088-9, (Consult. 5-01-2010)

Facécias são histórias que o povo conta, ingénuas, engraçadas, às vezes cruéis. Nelas aparecem intrigas, jeitinhos, absurdos, vontade de justiça, muitas vezes preconceitos.


In Wook. Porto Editora.

Bartolomeu Marinheiro

Bartolomeu Marinheiro : versos / Afonso Lopes Vieira ; decorações de João Carlos

AUTOR(ES): Vieira, Afonso Lopes, 1878-1946; Carlos, João, 1935-1960, il.
PUBLICAÇÃO: Lisboa : Bertrand, 1955

Afonso Lopes Vieira

Afonso Lopes Vieira (1878-1946) nasceu em Leiria, indo viver para Lisboa com a família. Formou-se em Direito na Universidade de Coimbra, exercendo funções de redactor da Câmara dos Deputados. Repartia o seu tempo entre Lisboa e S. Pedro de Moel, Leiria – no Inverno em Lisboa, nos meses mais aprazíveis em S. Pedro – , onde recebia vários amigos, também escritores. Viajou por Espanha, França, Itália, Bélgica, norte de África e Brasil. Esteve ligado à Renascença Portuguesa, sendo um dos principais representantes do Neogarrettismo. A Biblioteca Municipal de Leiria, designada como Biblioteca Municipal Afonso Lopes Vieira, teve a sua origem na doação do espólio e livraria privada do escritor à cidade natal.



Algumas das suas obras: Para quê? (1897), Náufragos, Versos Lusitanos (1898), O Meu Adeus (1900), O Encoberto (1905), Canções do Vento e do Sol (1911), Animais, Nossos Amigos (1911; ilustrações de Raul Lino), Bartolomeu Marinheiro (1912; ilustrações de Raul Lino), Arte Portuguesa (1916), Ilhas de Bruma (1917), País Lilás, Desterro Azul (1922), Onde a Terra Acaba e o Mar Começa (1940), etc.


Afonso Lopes Vieira. Projecto Vercial. [Em linha][Consult. em 5-01-2010]. Disponível em http://alfarrabio.di.uminho.pt/vercial/lvieira.htm


João Carlos Celestino Gomes, nascido em Ìlhavo em 5 de Outubro de 1899, foi ilustrador, pintor, escritor de novelas, poeta e médico. Na qualidade de poeta e escritor assinava João Carlos; como desenhador e pintor, Celestino Gomes.

Dá os primeiros sinais do seu talento quando, aos 12 anos de idade, como aluno do liceu José Estevão em Aveiro, cria, redige e ilustra o jornal da sua turma. Aos 15 já trabalha profissionalmente no jornal ilhavense O Nauta, sob o pseudónimo Carlos Doherty. No ano seguinte, aos 16, escreve, encena e representa a peça In Hoc Signo, no Teatro da Vista Alegre, contracenando com colegas seus de liceu. Faz a sua primeira exposição em 1917 no Clube dos Novos, exibindo sobretudo retratos.
Enquanto prossegue os seus estudos de medicina no Porto, funda duas publicações: a revista literária Humus, e na sua terra natal é fundador e director do jornal Beira-Mar. É também co-fundador da agremiação cultural Pléiade Ilhavense. Dá-se com alguns dos grandes artistas da sua época, nomeadamente com o pintor retratista Henrique Medina.
Aprofunda os seus conhecimentos de técnicas como a xilogravura, a pintura a guache, aguarela e a óleo. Seguindo esta última técnica, realiza grandes telas como Retrato da Mulher do Artista, A Promessa, e Auto-Retrato.
É em 1927 que termina o seu curso de medicina, com a tese A Fisionomia da Morte. Inicia a sua carreira de médico primeiro como médico municipal de Aldeia Galega, indo depois para Montijo, Santarém, e finalmente Lisboa.
Ilustra várias obras de educação sanitária, e notabiliza-se na luta contra as doenças pulmonares, causa a que nunca deixa de se dedicar ao longo da sua vida.
Em 1935 realiza uma grande mostra dos seus trabalhos na Casa de Portugal, em Paris.
Em 1940 faz ilustrações para obras de seus amigos, como As Cantigas de Toy, de António Homem de Mello; e Onde a Terra se Acaba e o Mar Começa, de Afonso Lopes Vieira, que considerava essa capa a sua favorita pessoal. Em 1941, durante umas férias na casa de praia de seu amigo António Madureira, faz o desenho a lápis Varina, tendo a sua mulher como modelo. Em 1942 faz 14 nanquins para Os Caminhos de Sangue. Ao longo da década de 40 faz várias ilustrações para livros de medicina, bem como nanquins/guaches artísticos, tais como S. João Baptista, Banho de Sol (1941), Noiva ao Espelho (1947), Severa (1943) entre outros.
Em 1946 escreve aquele vem a ser o seu último romance: A Estrada de Fogo. Daí em diante dedica-se a livros de medicina, tais como Esta Vida são Dois Dias/Conselhos para a Poupar (1949), O Homem Quer Viver Mais (1950), A Doença e os Doentes (1956), etc. É em 1949 que dá início à sua actividade como colaborador permanente no Diário de Notícias com a rubrica É Bom Poupar a Saúde, e em 1958 na R.T.P. com o Haja Saúde.
Escreve as suas memórias, Borda da Água, e ao longo da década de 50 prossegue a sua carreira de pintor, com telas de grandes dimensões, como A Ceia (1951) que adorna o refeitório do Seminário dos Olivais. Realiza 3 grandes exposições no S.N.I., na Galeria Babel em Lisboa, e no Coliseu do Porto.
No ano da sua morte, 1960, criou os nanquins D. João II, A Raposa Matreira, A Companheira, e O Gladiador Vencido. Exprime como último desejo ser enterrado na sua terra de origem. Esta homenageou-o dando o seu nome à Escola Secundária, que passou a chamar-se Escola Secundária Dr. João Carlos Celestino Gomes.


João Carlos Celestino Gomes. Em linha.[Consult. em 5-01-2010]. Disponível em http://artistasportugueses.blogspot.com/2009/03/joao-carlos-celestino-gomes-1899-1960.html

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Uma breve história do trigo

Rogério Ribeiro
Rogério Ribeiro (Estremoz, 31 de Março de 1930 - Lisboa, 10 de Março de 2008) foi um artista plástico português.


Fez a sua formação académica em pintura, na Escola Superior de Belas-Artes de Lisboa, actual Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa.
Foi sócio-fundador da Gravura — Sociedade Cooperativa de Gravadores Portugueses (1956), onde desenvolveu intensa actividade como gravador. Trabalhou em cerâmica e em tapeçaria por encomenda de particulares, empresas e organismos oficiais. Em 1961 iniciou a sua actividade de professor de Pintura e Tecnologia na Escola de Artes Decorativas António Arroio (Lisboa). Primeiros trabalhos no âmbito do Design de Equipamento e Gráfico (1964) e colaboração com vários arquitectos nos estudos de cor e integração de materiais e trabalhos artísticos.
Foi professor da ESBAL desde 1970, instituição onde, em 1974, coordenou o grupo de trabalho de reestruturação do currículo escolar na área do Design. Em 1983 foi co-autor do projecto da Galeria de Desenho do Museu Municipal de Estremoz, com Joaquim Vermelho, Armando Alves e José Aurélio, entre outros.
Foi igualmente autor:
• Do projecto e montagem da Casa Museu Manuel Ribeiro de Pavia, em Pavia (Mora) (1985);
• Do projecto museológico da Fortaleza de Peniche (1987).
Dirigiu, desde 1988, a Galeria Municipal de Arte de Almada e, a partir de 1993 foi director da Casa da Cerca — Centro de Arte Contemporânea, em Almada.
No domínio da azulejaria realizou inúmeras obras, onde se destacam:
• A estação de metro da Avenida, em Lisboa (1959); • O átrio Norte da estação de metro dos Anjos, em Lisboa (1982);• O painel «Azulejos para Santiago» para a estação de metro de Santa Lucia, em Santiago do Chile (1996); • O painel «Mestre Andarilho» para o Fórum Romeu Correia, em Almada (1997); • Um painel para a estação de caminhos-de-ferro de Sete Rios, em Lisboa (1999); • Um painel para o Arquivo Histórico Municipal de Usuqui, no Japão (1999); • O painel «O Lugar da Água», no Espaço Museológico da rua do Sembrano, em Beja; • O «Monumento à Mulher Alentejana», inaugurado em 8 de Março de 2008, no Parque da Cidade, em Beja.


Expôs colectivamente desde 1950 e individualmente desde 1954. No domínio da ilustração de livros, uma das suas obras mais conhecidas é a da ilustração da edição de grande formato do romance de Manuel Tiago/Álvaro Cunhal «Até Amanhã Camaradas».
Outros títulos que ilustrou:
• Casa da Malta, de Fernando Namora (1956);
• Minas de S. Francisco, de Fernando Namora (1955);
• A vida mágica da sementinha: uma breve história do trigo, de Alves Redol (1956).
Rogério Ribeiro está representado em diversas colecções particulares, instituições privadas e museus. Em 2006 o Município de Estremoz, atribuiu-lhe a Medalha de Ouro da Cidade de Estremoz


Rogério Ribeiro. In Wikipedia. [Em linha]. [Consult. em 23de Dezembro de 2009]. Disponível em http://pt.wikipedia.org/wiki/Rog%C3%A9rio_Ribeiro

A coelhinha do rabito de algodão

António Fernando dos Santos (Vila Real de Santo António, 1918 -Lisboa, Agosto de 1991), mais conhecido por Tóssan, foi um pintor, ilustrador, decorador e gráfico português.

Pertenceu, desde 1947, ao Teatro dos Estudantes da Universidade de Coimbra (TEUC), onde foi cenógrafo e caracterizador.
A sua primeira obra como ilustrador foi a capa do livro «O Teatro dos Estudantes de Coimbra no Brasil».
Durante o período em que residiu em Coimbra foi o caricaturista de centenas de estudantes.
Entre 1961 e 1964, orientou os trabalhos gráficos da Embaixada do Brasil em Lisboa, cuja Biblioteca Sala Brasil decorou.
Na imprensa, foi um dos criadores do suplemento juvenil do Diário de Lisboa e colaborador do jornal humorístico O Bisnau.
Foi o autor do cartão da tapeçaria do salão nobre da Procuradoria-Geral da República, em Lisboa.
O actor Mário Viegas, amigo de Tóssan, reuniu num documento, em 1992, poemas e textos de prosa inéditos para um espectáculo intitulado Tótó, que representou a solo, nesse ano.
Alguns trabalhos de ilustração de livros
• Caldwell, Erskine (1903-1987). A coelhinha do rabito de algodão. Lisboa, Portugália, 196?.
• Colaço, Maria Rosa (1935-2004). Estas crianças aqui. Fotografias de Eduardo Gageiro. Lisboa, Terra Livre, 1979. Edição especial para o Ano Internacional da Criança.
• Dias, Maria Helena da Costa (1917). Animais: esses desconhecidos. Lisboa, Portugália, 1965.
• Freitas, António Sousa (1921-2004). Três contos para o Natal. Lisboa, Lisfarma, 196?.
• Gomes, Madalena (1928) O leão vegetariano: contos para crianças. Coimbra, Atlântida, 1975.
• Mirepoix, Camille, O leão Heitor. Lisboa, Portugália, 196?.
• Muralha, Sidónio (1920-1982). A amizade bate à porta. Lisboa, A Comuna, 1975.
• Neves, Leonel (1921-1996).
Sete contos de espantar. Coimbra, Atlântida, 1975.
O elefante e a pulga: poemas para crianças. Lisboa, Horizonte, 1976.
O livrinho dos macacos: poemas e um conto para crianças. Lisboa, Livros Horizonte, 1978.
Bichos de trazer por casa. Lisboa, A Comuna, 1978.
O menino e as estrelas e outras histórias em verso. Lisboa, Horizonte, 1979.
O policia bailarino e outros contos. Lisboa, Horizonte, 1979.
Histórias do Zé Palão. Lisboa, Livros Horizonte, 2.ª ed., 1979.
Um cavalo da cor do arco-íris: romancinho. Lisboa, Livros Horizonte, 1980.
Uma dúzia de adivinhas. Lisboa, Livros Horizonte, 1981.
O soldadinho e a pomba. Lisboa, Livros Horizonte, 1981.
Bichos de trazer por casa: poemas para crianças. Lisboa, Livros Horizonte, 1981.
João Careca, mestre detective: contos. Lisboa, Horizonte, 1984.
O mistério do quarto bem fechado. Lisboa, Horizonte, 1985.
Extraterrestre em Lisboa. Lisboa, Horizonte, 1993.

• Santos, António de Almeida (1926).
Rã no pântano: contos. Lisboa, Parceria António Maria Pereira, 1959.
Contos do tempo do ódio. Lisboa, Notícias, 2001.

• Semedo, Curvo (1766-1838). O velho, o rapaz e o burro: parábola. Lisboa, Prelo, 1978.

• Vicente, Gil. Gil Vicente e as crianças. Textos seleccionados por Maria Leonor de Carvalhão Buescu; pref. Paulo Quintela. Lisboa, Ministério da Educação Nacional, Comissão Nacional do V Centenário de Gil Vicente, 1965.

António Fernando dos Santos. In Wikipedia. [Em linha]. [Consult. em 22 de Dezembro de 2009]. Disponível em http://pt.wikipedia.org/wiki/Ant%C3%B3nio_Fernando_dos_Santos

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

A galinha Verde


A galinha verde / Ricardo Alberty ; il. de Júlio Gil

AUTOR(ES): Alberty, Ricardo, 1919-1992; Gil, Júlio, 1924-, il.
PUBLICAÇÃO: Lisboa : ática, 1959





Ricardo Alberty
Escritor português, Ricardo Eduardo Rios Rosa y Alberty nasceu a 22 de Agosto de 1919, em Lisboa, e faleceu em 1992, na mesma cidade. Frequentou o curso de Filologia Românica da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, passou o exame de Arte e Representar do Conservatório Nacional, actuando pela primeira vez, no Teatro Nacional D. Maria II, em 1952, e concluiu o curso de Desenho e Pintura da Sociedade Nacional de Belas-Artes. Autor de literatura infantil e juvenil, foi também tradutor de obras estrangeiras, entre as quais se encontram algumas de William Shakespeare. Com a sua primeira obra A Galinha Verde (1957, contos) ganhou o Prémio Maria Amália Vaz de Carvalho, em 1958. Em ex aequo com Matilde Rosa Araújo, recebeu, em 1980, o Grande Prémio de Literatura Infantil da Fundação Calouste Gulbenkian, pelo conjunto da sua produção escrita. Exemplos da sua obra são A Terra Natal (1968), O Príncipe de Ouro (1971), O Cavalinho das Sete Cores (1978), O Homem das Barbas (1989) e O Guarda-Chuva e a Pomba (peça teatral).


Ricardo Alberty. In Wook. Porto Editora [Em linha]. [Consult. Em 14-12-2009]. Disponível em http://www.wook.pt/authors/detail/id/127

sábado, 12 de dezembro de 2009

Alves Redol

Constantino, guardador de vacas e de sonhos


Constantino guardador de vacas e de sonhos / Alves Redol ; fot. António Neto e do autor

AUTOR(ES): Redol, Alves, 1911-1969; Neto, António, 1928-, fotogr.
PUBLICAÇÃO: [Lisboa] : Portugália, imp. 1962

Alves Redol
António Alves Redol (n. 1911-12-29 - f. 1969-11-29), foi um dos iniciadores do movimento neo-realista em Portugal e o primeiro a conseguir ampla aceitação. A sua obra, que alterna momentos de grande intensidade lírica com quadros de descrição precisa e minuciosa, evoluiu de uma análise social fortemente documental para uma fase mais pessoal e afastada dos preceitos da escola, a partir dos finais dos anos 50. Tomou como motivos centrais os dramas humanos vividos na sociedade ribatejana e, com o Ciclo Port Wine (1949-53), também na região duriense. Autor de uma vasta obra, para além dos textos das suas conferências e artigos para os jornais, escreveu romances, contos, peças de teatro e estudos de etnografia.




Alves Redol. In Editorial Caminho. [Em linha]. [Consult. em 12-12-2009]. Disponível em http://html.editorial-caminho.pt/show_autor__q1area_--_3Dcatalogo__--_3D_obj_--_3D31817__q236__q30__q41__q5.htm
 

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Rómulo de Carvalho



História do Telefone
por Rómulo de Carvalho.
1.ª ed. – Coimbra : Atlântida, 1952.




















Além das obras escolares, indicar-lhe-ei os volumes que publiquei na ‘Cosmos’… e uns volumezinhos, de que gosto muito, com a designação geral ‘Ciência para Gente Nova’ onde publiquei várias histórias de ciência, sem fadas nem milagres…”
Carta a Jorge de Sena, 1 de Julho de 1958



Rómulo de Carvalho (1906-1997)
Rómulo de Carvalho foi professor, pedagogo e autor de manuais escolares, historiador da ciência e da educação, divulgador científico e poeta.

Rómulo Vasco da Gama de Carvalho nasceu em 24 de Novembro de 1906, na Rua do Arco do Limoeiro, em Lisboa. Filho de José Avelino da Gama de Carvalho, natural de Tavira, e de Rosa das Dores Oliveira Gama de Carvalho, natural de Faro. Fez a instrução primária no Colégio de Santa Maria, em Lisboa.

Entre 1917 e 1925 estudou no Liceu Gil Vicente. Em 1925 matriculou-se no Curso Preparatório de Engenharia Militar da Faculdade de Ciências.

Em 1928 mudou-se para o Porto, onde se matriculou no curso de Ciências Físico-Químicas, na Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, que concluiu em 1931. Passados três anos realizou o Exame de Estado para o Ensino Liceal, iniciando a actividade docente no Liceu de Camões (Lisboa), continuando no Liceu D. João III (Coimbra) e, depois no Liceu Pedro Nunes (Lisboa), sendo aqui Professor Metodólogo a partir de 1958. A partir de 1946 foi um dos directores da Gazeta de Física, órgão da Sociedade Portuguesa de Física, cargo que exerceu até 1974.

Em 1952 na Atlântida Editora (Coimbra), iniciou a publicação de uma colecção de livros de divulgação, onde, sob a forma de interessantes histórias, se referia à descoberta de importantes instrumentos científicos. A História do Telefone foi o primeiro título desta colecção, que continuou depois com a história da fotografia, dos balões, da electricidade estática, do átomo, entre outras. Em 1953 publicou o Compêndio de Química, para o 3º ciclo.

Em 1956 publicou, com o pseudónimo de António Gedeão, o seu primeiro livro de poesia, Movimento Perpétuo (Coimbra), seguido de outros livros, Teatro do Mundo, em 1958 e Máquina do Fogo, em 1961. Em 1963 publicou a peça de teatro RTX 78/24.
Em 1964, para comemorar o 4º Centenário do nascimento de Galileo Galilei, escreveu o "Poema para Galileo", que foi traduzido para língua italiana por Roberto Barchiesi, e publicado, em edição bilingue, pelo Istituto Italiano di Cultura. Este poema, musicado e cantado por Manuel Freire, conheceu uma grande expansão, tal como a "Pedra Filosofal", ou a "Lágrima de Preta".

Em 1965 foi co-director da revista do Liceu Pedro Nunes Palestra. Esta revista pedagógica publicou-se durante 8 anos. Em 1967, publicou novo livro de poesias, Linhas de Força. Foi membro da direcção do Boletim do Ensino Secundário do Ministério da Educação (de 1973 a 1975 ).
Em 1974, concluindo 40 anos de actividade docente, aposentou-se da Função Pública. Em 1983 tornou-se Sócio Correspondente da Academia das Ciências de Lisboa
e em 1992 passou a Sócio Efectivo.

Em 1984 publicou Poemas Póstumos, de António Gedeão, que foram seguidos, em 1990, pelos Novos Poemas Póstumos.

A 10 de Junho de 1987 foi nomeado, pelo Presidente da República, Grande Oficial da Instrução Pública. Em 1990 foi nomeado Director do Museu Maynense, da Academia de Ciências de Lisboa. Em 1992, a Escola Secundária da Cova da Piedade adoptou como patrono o nome de António Gedeão. A 8 de Junho de 1995, a Universidade de Évora conferiu a Rómulo de Carvalho o grau de Doutor 'Honoris Causa'.

Em 1996, com o patrocínio do Ministério da Ciência e da Tecnologia e com a participação de muitos organismos, promoveu-se uma Homenagem Nacional a Rómulo de Carvalho/António Gedeão. A 15 de Novembro de 1996, foi atribuída a Rómulo de Carvalho da Medalha de Prata da Universidade Nova de Lisboa, na Faculdade de Ciências e Tecnologia.
A 17 de Dezembro de 1996, o Presidente da República atribuiu-lhe a Grã Cruz da Ordem de Mérito de Santiago da Espada, na Escola Secundária Pedro Nunes. A 18 de Dezembro de 1996, foi-lhe atribuída, pelo Ministro da Cultura, a Medalha de Mérito Cultural, na Fundação Calouste Gulbenkian.
Faleceu em 19 de Fevereiro de 1997 na cidade de Lisboa.

Historiador da Ciência
Foi em Coimbra, no Liceu Normal D. João III, onde permaneceu no período de 1950 a 1957, que Rómulo de Carvalho iniciou o seu trabalho de investigação em História da Ciência em Portugal. Aí conviveu com Joaquim de Carvalho e com Silva Dias e entrou em contacto com o Gabinete de Física Experimental pombalino e os trabalhos que sobre este Mário Silva já elaborara. É deste período a sua primeira obra de investigação sobre história da ciência em 1953, o livro Ferreira da Silva, Homem de Ciência e de Pensamento.

Atraíu-o a ciência do século XVIII, por razões que ele próprio explicou numa entrevista ao jornal Público em 24/11/1996: “Foi no século XVIII que se fez a transformação fundamental nos métodos de ensino. Foi o momento exacto em que o domínio da Igreja, que vinha desde o início, foi enfrentada pelos filósofos. Queria saber como é que em Portugal se tinha procedido em relação àquela movimentação que se fazia no mundo ocidental e fui à procura dos possíveis homens de ciência que entre nós tivessem trabalhado nesse sentido.”

Após a sua reforma da docência, Rómulo de Carvalho passou a frequentar assiduamente os fundos documentais da Academia das Ciências e elaborou diversos estudos sobre a própria Academia, como A actividade pedagógica da Academia das Ciências de Lisboa nos séculos XVIII e XIX (1981), a primeira de um conjunto de 16 obras que publicaria sobre o século XVIII com o patrocínio da Academia. Também na Academia estudou, recuperou e catalogou o material que servira na Aula Maynense, trazendo a público a respectiva colecção de Física, sob o título O material didáctico dos séculos XVIII e XIX do Museu Maynense da Academia das Ciências de Lisboa (1993). Estudou também a colecção de Antropologia da Academia, composta sobretudo por peças colhidas por Alexandre Rodrigues Ferreira (1756-1815) na respectiva viagem filosófica ao Brasil (1783-92).
Enquanto historiador, relacionava com frequência a actividade científica desenvolvida em Portugal com a actividade pedagógico/didáctica, pelo que em 1986 publicou a História do Ensino em Portugal, obra de referência no estudo do sistema educativo português.

Divulgador/Pedagogo
Rómulo de Carvalho desenvolveu uma actividade de divulgação científica que marcou gerações em Portugal. Os seus livros de divulgação em Ciência e Tecnologia e os seus artigos em jornais revelavam a sua preocupação com o despertar do interesse dos portugueses pelo conhecimento científico. Na Gazeta de Física publicou, até 1974, 22 artigos de divulgação científica, actualização didáctica e orientação pedagógica.

A divulgação, conforme eu gosto, é aquela que dá aos jovens as respostas que eles nunca chegaram a fazer. ‘Largo um corpo, porque é que ele cai?’ é uma coisa que pode interessar a toda a gente e trata-se de explicar isso em termos agradáveis. Para que possam ler e levá-los a pensar com mais pormenor nesse assunto e noutros.” (Entrevista, Público, 24-11-1996).

A par desta actividade de divulgação, publicou, entre 1953 e 1975, diversos manuais de ensino da Física, da Química, e das Ciências da Natureza, que por várias vezes foram reeditados, tendo sido utilizados durante vários anos nos ensinos liceal e complementar.

Destaque também para os seus cadernos de iniciação científica, onde tratava temas da Física e da Química, e para a colecção de livros “Ciência para Gente Nova”, onde esclarecia os jovens sobre temas da Física e da Química.

Rómulo de Carvalho. in Ciência em Portugal - personagens e episódios. Instituto Camões.2003. [Em linha]. [Consult. em 12-12-2009. Disponível em http://cvc.instituto-camoes.pt/ciencia/p24.html