Outros tempos

"O maior defeito dos livros novos é impedir a leitura dos antigos." (Joseph Joubert)

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Conto de Amadis de Portugal

Afonso Lopes Vieira


O conto de Amadis de Portugal : para os rapazes portugueses / Afonso Lopes Vieira ; des. Lino António


AUTOR(ES): Vieira, Afonso Lopes, 1878-1946; António, Lino, 1898-1974, il.
PUBLICAÇÃO: Lisboa : Bertrand, [195-]
Ficha de recensão crítica - F. Calouste Gulbenkian



Afonso Lopes Vieira (Leiria, 1878 [1] - Lisboa, 1946) foi um poeta português.

Frequentou a Universidade de Coimbra onde obteve o grau de bacharel em Direito. Radicou-se em Lisboa, exercendo durante dezasseis anos as funções de redactor na Câmara dos Deputados (1900-1916). Notabilizou-se pela sua carreira literária, a que se passou a dedicar exclusivamente em 1916.

Durante a juventude, participou na redacção de alguns jornais manuscritos, de que são exemplos A Vespa e O Estudante . Com a publicação do livro Para Quê? (1897) marca a sua estreia poética, iniciando um período de intensa actividade literária — Ar Livre (1906), O Pão e as Rosas (1908), Canções do Vento e do Sol (1911), Poesias sobre as "Cenas Infantis" de Shumann (1915), Ilhas de Bruma (1917), País Lilás, Desterro Azul (1922) — encerrando a sua actividade poética, assim julgava, com a antologia Versos de Afonso Lopes Vieira (1927). A obra poética culmina com o inovador e epigonal livro Onde a terra se acaba e o mar começa (1940).

O carácter activo e multifacetado do escritor tem expressão na sua colaboração em A Campanha Vicentina, na multiplicação de conferências em nome dos valores artísticos e culturais nacionais, recolhidas nos volumes Em demanda do Graal (1922) e Nova demanda do Graal (1942). A sua acção não se encerra, porém, aqui, sendo de considerar a dedicação à causa infantil, iniciada com Animais Nossos Amigos (1911), um filme infantil O Afilhado de Santo António (1928), entre outros. Por fim, assinale-se a sua demarcação face à ideologia salazarista expressa no texto Éclogas de Agora (1935).

Cidadão do mundo, Afonso Lopes Vieira não esqueceu as suas origens, conservando as imagens de uma Leiria de paisagem bucólica e romântica, rodeada de maciços verdejantes plantados de vinhedos e rasgados pelo rio Lis, mas, sobretudo, de São Pedro de Moel, paisagem de eleição do escritor, enquanto inspiração e génese da sua obra. O Mar e o Pinhal são os principais motivos da sua poética.

Nestas paisagens o poeta confessa sentir-se «[…] mais em família com o chão e com a gente», evidenciando no seu tratamento uma apetência para motivos líricos populares e nacionais. Essencialmente panteísta, leu e fixou as gentes, as crenças, os costumes, e as paisagens de uma Estremadura que interpretou como «o coração de Portugal, onde o próprio chão, o das praias, da floresta, da planície ou das serras, exala o fluido evocador da história pátria; província heróica, povoada de mosteiros e castelos…» (Nova demanda do Graal, 1942: 65).

Actualmente a Biblioteca Municipal em Leiria tem o seu nome. A sua casa de São Pedro de Moel foi transformada em Museu. Lopes Vieira é considerado um eminente poeta, um dos primeiros representantes do Neogarretismo e esteve ligado à corrente conhecida como Renascença Portuguesa.

Obra

Para quê? (1898) , Náufrago-versos lusitanos (1899) Auto da Sebenta (1900) Elegia da Cabra (1900) Meu Adeus (1900) Ar Livre (1901) O Poeta Saudade (1903) Marques - História de um Peregrino (1904) Poesias Escolhidas (1905) O Encoberto (1905) O Pão e as Rosas (1910) Gil Vicente-Monólogo do Vaqueiro (1910) O Povo e os Poetas Portugueses (1911) Rosas Bravas (1911) Auto da Barca do Inferno (adaptação) (1911) Os Animais Nossos Amigos (1911) Canções do Vento e do Sol (1912) Bartolomeu Marinheiro (1912) Canto Infantil (1913) O Soneto dos Tûmulos (1913) Inês de Castro na Poesia e na Lenda (1914) A Campanha Vicentina (1914) A Poesia dos Painéis de S.Vicente (1915) Poesias sobre as Cenas de Schumann 1916) Autos de Gil Vicente (1917) Canções de Saudade e de Amor (1917) Ilhas de Bruma (1918) Cancioneiro de Coimbra (1920) Crisfal (1920) Cantos Portugueses (1922) Em Demanda do Graal (l922) País Lilás, Desterro Azul (1922) O Romance de Amadis (1923) Da Reintegração dos Primitivos Portugueses (1924) Diana (1925) Ao Soldado Desconhecido (1925) Os Versos de Afonso Lopes Vieira (1928) Os Lusíadas (1929) O Poema do Cid (tradução) (1930) O livro do Amor de João de Deus (1930) Fátima (1931) Poema da Oratória de Rui Coelho (1931) Animais Nossos Amigos (1932) Santo António (1932) Lírica de Camões (1932) Relatório e Contas da Minha Viagem a Angola (1935) Églogas de Agora (livro proibido até 25 de abril de 1974) (1937) Ao Povo de Lisboa (1938) O Conto de Amadis de Portugal (1940) Poesias de Francisco Rodrigues Lobo (1940) A Paixão de Pedro o Cru (1940) Onde a Terra se Acaba e o Mar Começa (1940) O Carácter de Camões (1941) Cartas de Soror Mariana (tradução) (1942) Nova Demanda do Graal (1947) Branca Flor e Frei Malandro (1947)

 
Afonso Lopes Vieira. In Wikipedia (em linha) [Consult. 9-02-2010]. Disponível em http://pt.wikipedia.org/wiki/Afonso_Lopes_Vieira

Uma faceta sua pouco conhecida foi o interesse pelo cinema: realizou um pequeno filme com crianças (O Afilhado de Santo António) e encarregou-se dos diálogos de Camões e Inês de Castro, de Leitão de Barros, e de Amor de Perdição, de António Lopes Ribeiro.

http://cvc.instituto-camoes.pt/efemerides/2003/01/janeiro26.html




segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Feiras e outros divertimentos populares de Lisboa

Feiras e outros divertimentos populares de Lisboa : histórias, figuras, usos e costumes / Mário Costa


AUTOR(ES): Costa, Mário
PUBLICAÇÃO: [S.l. : s.n., 1950] ( Lisboa : -- Tip. C. M. de Lisboa)

Prefácio do arqueólogo Augusto Vieira da Silva


Uma História das Feiras Periódicas e das Feiras episódicas de Lisboa: Feira da Luz, Feira da Ladra, Feira do Lumiar, Feira das Amoreiras, Feira de Alcântara, Feira Popular de Palhavã, Feira do Parque Mayer e muitas mais, a maior parte apenas memória.




Augusto Vieira da Silva


Augusto Vieira da Silva dedicou a sua vida ao estudo de Lisboa. A sua obra revela-o como um investigador que contribuiu de modo ímpar para os estudos olisiponenses. Todavia não seria apenas à investigação nesta matéria que Vieira da Silva dedicaria o seu tempo. A sua biblioteca, espólio actualmente preservado no GEO, revela o seu interesse bibliófilo por qualquer publicação que referisse Lisboa. Na verdade, foi esse conjunto documental que deu início ao Gabinete de Estudos Olisiponenses.


O mestre olisipógrafo nasceu em 10 de Setembro de 1869, na Rua da Atalaia, em pleno Bairro Alto, bem no centro de Lisboa, cidade que seria a paixão da sua vida. Augusto Vieira da Silva fez os estudos secundários na Escola Académica, uma das escolas mais modernas de Lisboa à data. Em seguida, já na escola Politécnica recebe vários prémios pecuniários e de louvor. Realiza o curso de Engenharia Militar entre 1890 e 1893 na Escola do Exército, onde também é premiado pelo seu desempenho escolar. Em 1893, é nomeado alferes do Regimento de Engenharia e em 1895 ascende ao posto de Tenente. A carreira militar de Vieira da Silva progride, prestando vários serviços e sendo colocado em diversos cargos, chegando a ser nomeado, em 1909 Oficial da Real Ordem Militar de São Bento de Aviz por D. Manuel II. Com a instituição da República em 1910 Vieira da Silva não perde o seu lugar na carreira militar, mas abdica de fazer carreira activa. No entanto vai progredindo na carreira de oficial graduado, chegando ao posto de Coronel graduado em 1920.


Vieira da Silva inicia a sua monumental obra olisipográfica com um pequeno estudo sobre o Castelo de S. Jorge, publicado na Revista de Engenharia Militar, em 1898. Desde essa data até ao fim dos seus dias, Vieira da Silva publicará uma vasta obra, constituída por várias monografias e artigos em periódicos, sobre o seu tema de eleição, a olisipografia. A grande maioria das suas obras foi publicada pela Câmara Municipal de Lisboa.


É o próprio Vieira da Silva que reconhece, no prefácio da segunda edição de O Castelo de S. Jorge (1937), que o seu interesse pela olisipografia foi despertado pela obra do mestre Júlio de Castilho: “Quando após a conclusão do meu curso, em 1893, iam aparecendo os sucessivos volumes da Lisboa Antiga, do sempre saudoso mestre Visconde de Castilho, eu ia-os lendo avidamente, e deleitando-me com o conhecimento do que havia sido a nossa capital, tão brilhantemente exposto, e tão encantadoramente evocado. Foi assim que nasceu e se afervorou o meu interesse e a minha paixão pela cidade que foi meu berço.”.


Após a publicação, em 1898, da primeira edição de O Castelo de S. Jorge, uma pequena monografia que seria posteriormente revista e largamente ampliada na segunda edição de 1937, Vieira da Silva escreve algumas monografias sobre as obras de defesa de Lisboa que se revelariam fundamentais para o estudo da cidade: A Cerca Moura de Lisboa (1899); As Muralhas da Ribeira de Lisboa (1900). Segue-se, até 1937, um longo hiato na sua publicação de monografias, todavia, neste período, é extensa a sua contribuição com artigos para periódicos da época como: O Arqueólogo Português; Revista de Arte e Arqueologia; Anais das Bibliotecas, Museus e Arquivo Histórico Municipais; Revista de Obras Públicas e Minas; Arqueologia e História; Elucidário Nobiliárquico.


Entre 1937 e 1949, o olisipógrafo reedita, refunde, e amplia as suas obras monográficas: O Castelo de S. Jorge (1937); A Cerca Moura de Lisboa – Estudo histórico e descritivo (1939); As Muralhas da Ribeira de Lisboa (1940). Em 1948 e 1949 publica finalmente os dois volumes de A Cerca Fernandina.


A obra de Vieira da Silva estende-se por inúmeros artigos em publicações camarárias e não só, e trata diversos assuntos, como aspectos sociais, evolução demográfica, história de edifícios relevantes, mas sobretudo a evolução territorial e a iconografia de Lisboa.


Ao longo da sua vida, Vieira da Silva vai coleccionando material olisiponense em vários tipos de suporte: bibliográfico, cartográfico, iconográfico e outros tipos não facilmente classificáveis. Deste modo, a sua casa no nº 115 da Rua da Lapa, torna-se num vasto repositório olisiponense. O mestre será o 1º presidente do Grupo “Amigos de Lisboa”, associação cultural ainda em actividade. Em 1943 é reconhecido com o prémio “Júlio de Castilho” pela obra Os Paços dos Duques de Bragança em Lisboa, e no mesmo ano ingressa na Comissão Municipal de Toponímia.


Manuel Fialho Silva


Em Gabinete de Estudos Olisiponenses. Em linha.

Disponível em http://geo.cm-lisboa.pt/index.php?id=4247

domingo, 24 de janeiro de 2010

Vida e obra do Infante D. Henrique / Vitorino Nemésio


AUTOR: Nemésio, Vitorino, 1901-1978

PUBLICAÇÃO: Lisboa : Com. Executiva das Comemoraçöes do Quinto Centenário da Morte do Infante D. Henrique, 1959

Este livro faz parte duma colecção - COLECÇÃO HENRIQUINA - publicada no âmbito das comemorações do 5º centenário da morte do Infante D.Henrique.


_____________________________________________

Texto do Decreto de 1960 que considera feriado nacional o dia 4 de Março desse ano, em que serão inauguradas as comemorações do 5.º centenário da morte do infante D. Henrique.



" Decreto-Lei n.º 42837

Está o Governo empenhado em assegurar que as comemorações do 5.º centenário da morte do infante D.Henrique correspondam à elevada finalidade com que têm sido preparadas: evocar a figura, a vida e a obra do Navegador; através dessa evocação, lembrar os grandes passos da gesta dos Descobrimentos e da acção civilizadora dos Portugueses.
Espera-se, ao mesmo tempo, que dos principais actos comemorativos resultem lições plenamente actuais, geradoras de confiança no esforço criador e na capacidade de acção do povo português, bem como na sua aptidão para enfrentar os problemas que nesta hora se lhe apresentam.
Conforme foi oportunamente divulgado, as comemorações terão o seu início em 4 de Março do corrente ano, através de cerimónias de carácter religioso, a celebrar nas sés episcopais e igrejas matrizes, e de sessões cívicas, promovidas em todos os concelhos pelas respectivas câmaras municipais.
Para que o maior número de portugueses possa tomar parte nessas solenidades, em todos os territórios do continente, das ilhas e do ultramar, resolveu o Governo considerar feriado nacional o dia da inauguração das comemorações.
Reconhece-se, ao mesmo tempo, deverem estas adoptar um símbolo adequado, ou seja uma bandeira que sintetize expressivamente as ideias mestras inspiradoras da obra do infante. Ora a signa que melhor representa a grande empresa dos Descobrimentos é, sem dúvida, a usada pela Ordem de Cristo, de que o infante foi regedor e governador. Está, pois, indicado que seja esse o símbolo por excelência das comemorações henriquinas. Dos vários desenhos da cruz de Cristo legados pela nossa história, escolheu-se o da cruz firmada, por corresponder à melhor estilização heráldica das bandeiras da marinharia cartográfica e por dar melhor projecção visual, quando arvorada.

Nestes termos:
Usando da faculdade conferida pela 1.ª parte do n.º 2.º do artigo 109.º da Constituição, o Governo decreta e eu promulgo, para valer como lei, o seguinte:
Artigo 1.º É considerado feriado nacional o dia 4 de Março do corrente ano, em que serão inauguradas as comemorações do 5.º centenário da morte do infante D. Henrique.
Art. 2.º Será adoptada como bandeira oficial das comemorações a bandeira da cruz de Cristo, cujo modelo e descrição são publicados em anexo a este decreto-lei.
Publique-se e cumpra-se como nele se contém.


Paços do Governo da República, 9 de Fevereiro de 1960. - AMÉRICO DEUS RODRIGUES THOMAZ - António de Oliveira Salazar - Pedro Theotónio Pereira - Júlio Carlos Alves Dias Botelho Moniz - Arnaldo Schulz - João de Matos Antunes Varela - António Manuel Pinto Barbosa - Afonso Magalhães de Almeida Fernandes - Fernando Quintanilha Mendonça Dias - Marcello Gonçalves Nunes Duarte Mathias - Eduardo de Arantes e Oliveira - Vasco Lopes Alves - Francisco de Paula Leite Pinto - José do Nascimento Ferreira Dias Júnior - Carlos Gomes da Silva Ribeiro - Henrique Veiga de Macedo - Henrique de Miranda Vasconcelos Martins de Carvalho. "

O sábio que sabia tudo

O sábio que sabia tudo e outras histórias / José Neves de Lemos

AUTOR(ES): Lemos, José de, 1910-1995
PUBLICAÇÃO: Lisboa : ática, 1957

domingo, 17 de janeiro de 2010

Futebol de A a Z

Futebol de A a Z

PUBLICAÇÃO: Lisboa : Dir. Geral Desportos, [D.L. 1976]
Textos de Carlos Pinhão


Carlos Pinhão

Educação estética e ensino escolar


Educação estética e ensino escolar
AUTORES: Santos, João dos; Skapinakis, Nikias; Rebelo, Luís Francisco; Portas, Nuno; Branco, João de Freitas; Grácio, Rui.
Prefácio: Delfim Santos
PUBLICAÇÃO: Europa-América, Lisboa 1966

João dos Santos
Nikias Skapinakis
Luís Francisco Rebelo
Nuno Portas
João de Freitas Branco
Rui Grácio
Delfim Santos

Este livro reune um conjunto de conferências de diversos autores considerados autoridades em matéria de educação e arte, proferidas em 1957, numa iniciativa da Juventude Musical Portuguesa em colaboração com a Sociedade Nacional de Belas-Artes, na sequência da criação no ano anterior da Associação Portuguesa de Educação pela Arte..
Delfim Santos diz no Prefácio deste livro: " ...estes estudos têm o incontestável mérito de chamar a atenção para a exigência de remodelação do nosso ensino em termos de respeito pela evolução estética da criança e sua significação para o ensino escolar, isto é, da correlação entre a sensibilidade, a inteleigência e a imaginação."

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

L'Art Populaire au Portugal


L'art populaire au Portugal
AUTORES: Chaves, Luís. il. Tom (1906-1990)
PUBLICAÇÃO: SECRETARIADO NACIONAL DE PROPAGANDA. Lisboa. 1940


Tom

"D. Thomaz de Mello nasceu no Rio de Janeiro, Brasil, em 1906. Morreu em 1990, em Lisboa.
Ficou conhecido como Tom, abreviatura que herdou do seu avô, de origem inglesa. Artista multifacetado, explora diferentes áreas que vão desde a pintura ao desenho, passando pela decoração, a caricatura, a tapeçaria, o design, o grafismo de cartazes, a cerâmica e a encadernação.
Chega a Portugal em 1926, pela mão da companhia de teatro brasileira de Leopoldo Fróis, na qual trabalhava como contra-regra e aderecista. O fascínio pelo teatro começou cedo, cerca dos 14 anos de idade, enquanto aprendiz e ajudante de cenografia no Teatro Lírico do Rio de Janeiro. Posteriormente, em conjunto com Mário Tullio e J. Barros, constrói carros carnavalescos.
O interesse pela imprensa aparece igualmente desde cedo, sendo que o seu avô D. Thomaz José Fletcher de Mello Homem, escritor de profissão, possuía em Lisboa a Agência Universal de Anúncios, uma das primeiras agências de publicidade. Vendeu jornais em 1915, e trabalhou como tipógrafo em 1916.
A viragem para as artes plásticas dá-se logo no ano seguinte à sua chegada a Lisboa, em 1927, quando o caricaturista Ruben Trinas, mais conhecido como Fox, o convida a realizar uma exposição.
Enquanto caricaturista trabalha na Voz, para a qual executa a série Tiroliro, e para o Diário da Manhã, realizando o Rico, Pico e Sarapico nos anos 20. Na década seguinte colabora com o Papagaio. A sua obra, nesta área, caracteriza-se pela falta de perspectiva, pela síntese das figuras, por um desenho algo “infantil”, mas seguramente por uma grande expressividade no traço, algo bizarro, segundo a crítica da época. Constituiu-se como um caso exemplar de uma individualidade dotada de grande eclectismo, apesar de ser integrado na chamada “segunda geração de modernistas”. Participa activamente, desde 1928, em salões do SPN/SNI e nas equipas de decoradores enviadas às grandes exposições no estrangeiro, chegando a obter o “Grande Prémio de Decoração e de Artesanato”, na Exposição de Artes e Técnicas de Paris, em 1937, e vindo a receber, em 1945, o “Prémio Francisco de Holanda”.
Tanto no desenho (outra área de destaque na sua obra), como na pintura (que era encarada como um hobby), Tom demonstra sensibilidade etnográfica, retratando vários costumes e tipos populares. René Barotte afirmará que Tom é “um pintor da miséria”, transpondo para as suas obras o sofrimento humano e o sentimentalismo típico português; e Artur Augusto afirma que de todos os pintores do seu tempo é aquele que melhor interpreta a alma dessa colectividade quase infantil à qual se chama “povo”.
Dentro da mesma procura, numa atitude quase arquivista e claramente de anotação, retrata algumas regiões de Portugal. Destaca-se a série Nazaré, na qual mais do que a paisagem, é a realidade humana que o atrai, transparecendo nos leitmotiven dos frisos das barcas e dos batéis, das mulheres de capote, dos pescadores de pé descalço à espera do peixe, ou ainda da lenda do milagre de D. Fuas Roupinho, um sentimento que leva António Lopes Ribeiro a intitular estas obras como verdadeiras “cartas de amor”. E, principalmente, a série Feitiço, surgida de uma viagem a Angola, onde identifica alguns elementos próximos do seu Brasil. Sofre o choque de um confronto com um imaginário que o levou a realizar um processo novo, em que a cor adquire uma importância extrema, levando-o, por vezes, a composições quase abstractas e muito expressivas, nas quais se afasta do rigor do desenho geométrico para se permitir uma maior liberdade de execução.
Fascinado pela topografia, desenvolve um apontamento de uma geografia sentida, representando nas suas obras cidades como Lisboa, Ruão, Nova Iorque e, muito particularmente, o Porto. Lima de Carvalho chega a afirmar que se Carlos Botelho era o pintor de Lisboa, Tom seria o seu equivalente em relação ao Porto. Pintando a esquina de uma rua, as envelhecidas varandas ou as traseiras dos prédios com as suas inconfundíveis sacadas, consegue, em todas elas, captar a essencialidade que as caracteriza, através de uma composição animada por um cromatismo emotivo, que muito deve às leis da geometria com as quais muitas vezes brinca."
Carla Mendes in, Centro de Arte Moderna - José de Azevedo Perdigão

A pequena princesa

A pequena princesa / Frances Burnett ; versão portuguesa de Maria Lamas

AUTOR(ES): Burnett, Frances, 1849-1924; Lamas, Maria, 1893-1983, trad.
PUBLICAÇÃO: Lisboa : Progresso, [19--]






Frances Burnett

Escritora inglesa, Frances Eliza Hodgson nasceu a 24 de Novembro de 1849, em Cheetham Hill, nas cercanias da cidade de Manchester. O pai faleceu quando Frances contava apenas três anos de idade. Acompanhou a restante família na sua emigração, ocorrida em 1865, para os Estados Unidos. Estabelecida em New Market, nas proximidades de Knoxville, no estado do Tennesse, a família viu gorada a promessa de apoio material pronunciada por um tio materno, pelo que passou a depender dos ganhos dos dois irmãos de Frances.
Começaram por viver numa cabana de madeira, e Frances, então com dezasseis anos de idade, teve a ideia de aí montar uma escola. Os seus oito alunos pagavam-lhe em géneros alimentícios. Aos dezoito anos passou uma temporada a fazer vindimas, com o intuito de juntar a quantia necessária para poder comprar o papel e os selos necessários ao envio de um conto à redacção de uma publicação feminina, que o aceitou.
Continuou então a escrever, aparecendo com uma certa regularidade em revistas conceituadas. Em 1873, e após uma visita a Inglaterra que durou um ano, Frances casou com um médico norte-americano.
Em 1877 publicou o seu primeiro livro, o romance That Lass o'Lowrie's, que havia aparecido previamente em episódios numa revista literária. Descrevendo com precisão realista a vida da classe operária inglesa, Frances Hodgson Burnett estabelecia uma trama repleta de trejeitos românticos quase inverosímeis.


Pouco tempo depois mudou-se com o marido para a cidade de Washington, onde prosseguiu a sua carreira literária, publicando obras como Haworth's (1879), Louisiana (1880), A Fair Barbarian (1881) e Through One Administration (1883).
Em 1886 publicou o seu romance mais conhecido, Little Lord Fauntleroy que, primeiramente vocacionado para o público infantil, acabou por fazer as delícias de muitas mães, pelo modelo filial que apresentava. Permanecendo no entanto no âmbito da literatura infantil, Burnett foi produzindo mais obras, das quais se destacam The Little Princess (1905) e The Secret Garden (1909).
Tendo-se divorciado em 1898, Frances Hodgson Burnett passou a repartir o seu tempo entre a Inglaterra e os Estados Unidos, onde veio a falecer a 29 de Outubro de 1924.

Frances Hodgson Burnett. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2010. [Consult. 2010-01-06].
Disponível em http://www.infopedia.pt/$frances-hodgson-burnett

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Contos, fábulas, facécias e exemplos da tradição popular portuguesa

Contos, fábulas, facécias e exemplos da tradição popular portuguesa


AUTOR(ES): Osório, Ana de Castro, 1872-1935
PUBLICAÇÃO: Lisboa : Soc. de Expansão Cultural, [D.L. 1962]

Facécias
Dito ou acto jocoso que pode ter utilização literária e constituir um género próprio da literatura de tom satírico ou cómico. Uma facécia é, normalmente, uma graça com forte pendor crítico, podendo ser comparada à tradição das cantigas de escárnio e mal dizer da lírica galego-portuguesa



Carlos Ceia, s.v. "Verbete", E-Dicionário de Termos Literários, coord. de Carlos Ceia, ISBN: 989-20-0088-9, (Consult. 5-01-2010)

Facécias são histórias que o povo conta, ingénuas, engraçadas, às vezes cruéis. Nelas aparecem intrigas, jeitinhos, absurdos, vontade de justiça, muitas vezes preconceitos.


In Wook. Porto Editora.

Bartolomeu Marinheiro

Bartolomeu Marinheiro : versos / Afonso Lopes Vieira ; decorações de João Carlos

AUTOR(ES): Vieira, Afonso Lopes, 1878-1946; Carlos, João, 1935-1960, il.
PUBLICAÇÃO: Lisboa : Bertrand, 1955

Afonso Lopes Vieira

Afonso Lopes Vieira (1878-1946) nasceu em Leiria, indo viver para Lisboa com a família. Formou-se em Direito na Universidade de Coimbra, exercendo funções de redactor da Câmara dos Deputados. Repartia o seu tempo entre Lisboa e S. Pedro de Moel, Leiria – no Inverno em Lisboa, nos meses mais aprazíveis em S. Pedro – , onde recebia vários amigos, também escritores. Viajou por Espanha, França, Itália, Bélgica, norte de África e Brasil. Esteve ligado à Renascença Portuguesa, sendo um dos principais representantes do Neogarrettismo. A Biblioteca Municipal de Leiria, designada como Biblioteca Municipal Afonso Lopes Vieira, teve a sua origem na doação do espólio e livraria privada do escritor à cidade natal.



Algumas das suas obras: Para quê? (1897), Náufragos, Versos Lusitanos (1898), O Meu Adeus (1900), O Encoberto (1905), Canções do Vento e do Sol (1911), Animais, Nossos Amigos (1911; ilustrações de Raul Lino), Bartolomeu Marinheiro (1912; ilustrações de Raul Lino), Arte Portuguesa (1916), Ilhas de Bruma (1917), País Lilás, Desterro Azul (1922), Onde a Terra Acaba e o Mar Começa (1940), etc.


Afonso Lopes Vieira. Projecto Vercial. [Em linha][Consult. em 5-01-2010]. Disponível em http://alfarrabio.di.uminho.pt/vercial/lvieira.htm


João Carlos Celestino Gomes, nascido em Ìlhavo em 5 de Outubro de 1899, foi ilustrador, pintor, escritor de novelas, poeta e médico. Na qualidade de poeta e escritor assinava João Carlos; como desenhador e pintor, Celestino Gomes.

Dá os primeiros sinais do seu talento quando, aos 12 anos de idade, como aluno do liceu José Estevão em Aveiro, cria, redige e ilustra o jornal da sua turma. Aos 15 já trabalha profissionalmente no jornal ilhavense O Nauta, sob o pseudónimo Carlos Doherty. No ano seguinte, aos 16, escreve, encena e representa a peça In Hoc Signo, no Teatro da Vista Alegre, contracenando com colegas seus de liceu. Faz a sua primeira exposição em 1917 no Clube dos Novos, exibindo sobretudo retratos.
Enquanto prossegue os seus estudos de medicina no Porto, funda duas publicações: a revista literária Humus, e na sua terra natal é fundador e director do jornal Beira-Mar. É também co-fundador da agremiação cultural Pléiade Ilhavense. Dá-se com alguns dos grandes artistas da sua época, nomeadamente com o pintor retratista Henrique Medina.
Aprofunda os seus conhecimentos de técnicas como a xilogravura, a pintura a guache, aguarela e a óleo. Seguindo esta última técnica, realiza grandes telas como Retrato da Mulher do Artista, A Promessa, e Auto-Retrato.
É em 1927 que termina o seu curso de medicina, com a tese A Fisionomia da Morte. Inicia a sua carreira de médico primeiro como médico municipal de Aldeia Galega, indo depois para Montijo, Santarém, e finalmente Lisboa.
Ilustra várias obras de educação sanitária, e notabiliza-se na luta contra as doenças pulmonares, causa a que nunca deixa de se dedicar ao longo da sua vida.
Em 1935 realiza uma grande mostra dos seus trabalhos na Casa de Portugal, em Paris.
Em 1940 faz ilustrações para obras de seus amigos, como As Cantigas de Toy, de António Homem de Mello; e Onde a Terra se Acaba e o Mar Começa, de Afonso Lopes Vieira, que considerava essa capa a sua favorita pessoal. Em 1941, durante umas férias na casa de praia de seu amigo António Madureira, faz o desenho a lápis Varina, tendo a sua mulher como modelo. Em 1942 faz 14 nanquins para Os Caminhos de Sangue. Ao longo da década de 40 faz várias ilustrações para livros de medicina, bem como nanquins/guaches artísticos, tais como S. João Baptista, Banho de Sol (1941), Noiva ao Espelho (1947), Severa (1943) entre outros.
Em 1946 escreve aquele vem a ser o seu último romance: A Estrada de Fogo. Daí em diante dedica-se a livros de medicina, tais como Esta Vida são Dois Dias/Conselhos para a Poupar (1949), O Homem Quer Viver Mais (1950), A Doença e os Doentes (1956), etc. É em 1949 que dá início à sua actividade como colaborador permanente no Diário de Notícias com a rubrica É Bom Poupar a Saúde, e em 1958 na R.T.P. com o Haja Saúde.
Escreve as suas memórias, Borda da Água, e ao longo da década de 50 prossegue a sua carreira de pintor, com telas de grandes dimensões, como A Ceia (1951) que adorna o refeitório do Seminário dos Olivais. Realiza 3 grandes exposições no S.N.I., na Galeria Babel em Lisboa, e no Coliseu do Porto.
No ano da sua morte, 1960, criou os nanquins D. João II, A Raposa Matreira, A Companheira, e O Gladiador Vencido. Exprime como último desejo ser enterrado na sua terra de origem. Esta homenageou-o dando o seu nome à Escola Secundária, que passou a chamar-se Escola Secundária Dr. João Carlos Celestino Gomes.


João Carlos Celestino Gomes. Em linha.[Consult. em 5-01-2010]. Disponível em http://artistasportugueses.blogspot.com/2009/03/joao-carlos-celestino-gomes-1899-1960.html

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Uma breve história do trigo

Rogério Ribeiro
Rogério Ribeiro (Estremoz, 31 de Março de 1930 - Lisboa, 10 de Março de 2008) foi um artista plástico português.


Fez a sua formação académica em pintura, na Escola Superior de Belas-Artes de Lisboa, actual Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa.
Foi sócio-fundador da Gravura — Sociedade Cooperativa de Gravadores Portugueses (1956), onde desenvolveu intensa actividade como gravador. Trabalhou em cerâmica e em tapeçaria por encomenda de particulares, empresas e organismos oficiais. Em 1961 iniciou a sua actividade de professor de Pintura e Tecnologia na Escola de Artes Decorativas António Arroio (Lisboa). Primeiros trabalhos no âmbito do Design de Equipamento e Gráfico (1964) e colaboração com vários arquitectos nos estudos de cor e integração de materiais e trabalhos artísticos.
Foi professor da ESBAL desde 1970, instituição onde, em 1974, coordenou o grupo de trabalho de reestruturação do currículo escolar na área do Design. Em 1983 foi co-autor do projecto da Galeria de Desenho do Museu Municipal de Estremoz, com Joaquim Vermelho, Armando Alves e José Aurélio, entre outros.
Foi igualmente autor:
• Do projecto e montagem da Casa Museu Manuel Ribeiro de Pavia, em Pavia (Mora) (1985);
• Do projecto museológico da Fortaleza de Peniche (1987).
Dirigiu, desde 1988, a Galeria Municipal de Arte de Almada e, a partir de 1993 foi director da Casa da Cerca — Centro de Arte Contemporânea, em Almada.
No domínio da azulejaria realizou inúmeras obras, onde se destacam:
• A estação de metro da Avenida, em Lisboa (1959); • O átrio Norte da estação de metro dos Anjos, em Lisboa (1982);• O painel «Azulejos para Santiago» para a estação de metro de Santa Lucia, em Santiago do Chile (1996); • O painel «Mestre Andarilho» para o Fórum Romeu Correia, em Almada (1997); • Um painel para a estação de caminhos-de-ferro de Sete Rios, em Lisboa (1999); • Um painel para o Arquivo Histórico Municipal de Usuqui, no Japão (1999); • O painel «O Lugar da Água», no Espaço Museológico da rua do Sembrano, em Beja; • O «Monumento à Mulher Alentejana», inaugurado em 8 de Março de 2008, no Parque da Cidade, em Beja.


Expôs colectivamente desde 1950 e individualmente desde 1954. No domínio da ilustração de livros, uma das suas obras mais conhecidas é a da ilustração da edição de grande formato do romance de Manuel Tiago/Álvaro Cunhal «Até Amanhã Camaradas».
Outros títulos que ilustrou:
• Casa da Malta, de Fernando Namora (1956);
• Minas de S. Francisco, de Fernando Namora (1955);
• A vida mágica da sementinha: uma breve história do trigo, de Alves Redol (1956).
Rogério Ribeiro está representado em diversas colecções particulares, instituições privadas e museus. Em 2006 o Município de Estremoz, atribuiu-lhe a Medalha de Ouro da Cidade de Estremoz


Rogério Ribeiro. In Wikipedia. [Em linha]. [Consult. em 23de Dezembro de 2009]. Disponível em http://pt.wikipedia.org/wiki/Rog%C3%A9rio_Ribeiro

A coelhinha do rabito de algodão

António Fernando dos Santos (Vila Real de Santo António, 1918 -Lisboa, Agosto de 1991), mais conhecido por Tóssan, foi um pintor, ilustrador, decorador e gráfico português.

Pertenceu, desde 1947, ao Teatro dos Estudantes da Universidade de Coimbra (TEUC), onde foi cenógrafo e caracterizador.
A sua primeira obra como ilustrador foi a capa do livro «O Teatro dos Estudantes de Coimbra no Brasil».
Durante o período em que residiu em Coimbra foi o caricaturista de centenas de estudantes.
Entre 1961 e 1964, orientou os trabalhos gráficos da Embaixada do Brasil em Lisboa, cuja Biblioteca Sala Brasil decorou.
Na imprensa, foi um dos criadores do suplemento juvenil do Diário de Lisboa e colaborador do jornal humorístico O Bisnau.
Foi o autor do cartão da tapeçaria do salão nobre da Procuradoria-Geral da República, em Lisboa.
O actor Mário Viegas, amigo de Tóssan, reuniu num documento, em 1992, poemas e textos de prosa inéditos para um espectáculo intitulado Tótó, que representou a solo, nesse ano.
Alguns trabalhos de ilustração de livros
• Caldwell, Erskine (1903-1987). A coelhinha do rabito de algodão. Lisboa, Portugália, 196?.
• Colaço, Maria Rosa (1935-2004). Estas crianças aqui. Fotografias de Eduardo Gageiro. Lisboa, Terra Livre, 1979. Edição especial para o Ano Internacional da Criança.
• Dias, Maria Helena da Costa (1917). Animais: esses desconhecidos. Lisboa, Portugália, 1965.
• Freitas, António Sousa (1921-2004). Três contos para o Natal. Lisboa, Lisfarma, 196?.
• Gomes, Madalena (1928) O leão vegetariano: contos para crianças. Coimbra, Atlântida, 1975.
• Mirepoix, Camille, O leão Heitor. Lisboa, Portugália, 196?.
• Muralha, Sidónio (1920-1982). A amizade bate à porta. Lisboa, A Comuna, 1975.
• Neves, Leonel (1921-1996).
Sete contos de espantar. Coimbra, Atlântida, 1975.
O elefante e a pulga: poemas para crianças. Lisboa, Horizonte, 1976.
O livrinho dos macacos: poemas e um conto para crianças. Lisboa, Livros Horizonte, 1978.
Bichos de trazer por casa. Lisboa, A Comuna, 1978.
O menino e as estrelas e outras histórias em verso. Lisboa, Horizonte, 1979.
O policia bailarino e outros contos. Lisboa, Horizonte, 1979.
Histórias do Zé Palão. Lisboa, Livros Horizonte, 2.ª ed., 1979.
Um cavalo da cor do arco-íris: romancinho. Lisboa, Livros Horizonte, 1980.
Uma dúzia de adivinhas. Lisboa, Livros Horizonte, 1981.
O soldadinho e a pomba. Lisboa, Livros Horizonte, 1981.
Bichos de trazer por casa: poemas para crianças. Lisboa, Livros Horizonte, 1981.
João Careca, mestre detective: contos. Lisboa, Horizonte, 1984.
O mistério do quarto bem fechado. Lisboa, Horizonte, 1985.
Extraterrestre em Lisboa. Lisboa, Horizonte, 1993.

• Santos, António de Almeida (1926).
Rã no pântano: contos. Lisboa, Parceria António Maria Pereira, 1959.
Contos do tempo do ódio. Lisboa, Notícias, 2001.

• Semedo, Curvo (1766-1838). O velho, o rapaz e o burro: parábola. Lisboa, Prelo, 1978.

• Vicente, Gil. Gil Vicente e as crianças. Textos seleccionados por Maria Leonor de Carvalhão Buescu; pref. Paulo Quintela. Lisboa, Ministério da Educação Nacional, Comissão Nacional do V Centenário de Gil Vicente, 1965.

António Fernando dos Santos. In Wikipedia. [Em linha]. [Consult. em 22 de Dezembro de 2009]. Disponível em http://pt.wikipedia.org/wiki/Ant%C3%B3nio_Fernando_dos_Santos

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

A galinha Verde


A galinha verde / Ricardo Alberty ; il. de Júlio Gil

AUTOR(ES): Alberty, Ricardo, 1919-1992; Gil, Júlio, 1924-, il.
PUBLICAÇÃO: Lisboa : ática, 1959





Ricardo Alberty
Escritor português, Ricardo Eduardo Rios Rosa y Alberty nasceu a 22 de Agosto de 1919, em Lisboa, e faleceu em 1992, na mesma cidade. Frequentou o curso de Filologia Românica da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, passou o exame de Arte e Representar do Conservatório Nacional, actuando pela primeira vez, no Teatro Nacional D. Maria II, em 1952, e concluiu o curso de Desenho e Pintura da Sociedade Nacional de Belas-Artes. Autor de literatura infantil e juvenil, foi também tradutor de obras estrangeiras, entre as quais se encontram algumas de William Shakespeare. Com a sua primeira obra A Galinha Verde (1957, contos) ganhou o Prémio Maria Amália Vaz de Carvalho, em 1958. Em ex aequo com Matilde Rosa Araújo, recebeu, em 1980, o Grande Prémio de Literatura Infantil da Fundação Calouste Gulbenkian, pelo conjunto da sua produção escrita. Exemplos da sua obra são A Terra Natal (1968), O Príncipe de Ouro (1971), O Cavalinho das Sete Cores (1978), O Homem das Barbas (1989) e O Guarda-Chuva e a Pomba (peça teatral).


Ricardo Alberty. In Wook. Porto Editora [Em linha]. [Consult. Em 14-12-2009]. Disponível em http://www.wook.pt/authors/detail/id/127

sábado, 12 de dezembro de 2009

Alves Redol

Constantino, guardador de vacas e de sonhos


Constantino guardador de vacas e de sonhos / Alves Redol ; fot. António Neto e do autor

AUTOR(ES): Redol, Alves, 1911-1969; Neto, António, 1928-, fotogr.
PUBLICAÇÃO: [Lisboa] : Portugália, imp. 1962

Alves Redol
António Alves Redol (n. 1911-12-29 - f. 1969-11-29), foi um dos iniciadores do movimento neo-realista em Portugal e o primeiro a conseguir ampla aceitação. A sua obra, que alterna momentos de grande intensidade lírica com quadros de descrição precisa e minuciosa, evoluiu de uma análise social fortemente documental para uma fase mais pessoal e afastada dos preceitos da escola, a partir dos finais dos anos 50. Tomou como motivos centrais os dramas humanos vividos na sociedade ribatejana e, com o Ciclo Port Wine (1949-53), também na região duriense. Autor de uma vasta obra, para além dos textos das suas conferências e artigos para os jornais, escreveu romances, contos, peças de teatro e estudos de etnografia.




Alves Redol. In Editorial Caminho. [Em linha]. [Consult. em 12-12-2009]. Disponível em http://html.editorial-caminho.pt/show_autor__q1area_--_3Dcatalogo__--_3D_obj_--_3D31817__q236__q30__q41__q5.htm
 

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Rómulo de Carvalho



História do Telefone
por Rómulo de Carvalho.
1.ª ed. – Coimbra : Atlântida, 1952.




















Além das obras escolares, indicar-lhe-ei os volumes que publiquei na ‘Cosmos’… e uns volumezinhos, de que gosto muito, com a designação geral ‘Ciência para Gente Nova’ onde publiquei várias histórias de ciência, sem fadas nem milagres…”
Carta a Jorge de Sena, 1 de Julho de 1958



Rómulo de Carvalho (1906-1997)
Rómulo de Carvalho foi professor, pedagogo e autor de manuais escolares, historiador da ciência e da educação, divulgador científico e poeta.

Rómulo Vasco da Gama de Carvalho nasceu em 24 de Novembro de 1906, na Rua do Arco do Limoeiro, em Lisboa. Filho de José Avelino da Gama de Carvalho, natural de Tavira, e de Rosa das Dores Oliveira Gama de Carvalho, natural de Faro. Fez a instrução primária no Colégio de Santa Maria, em Lisboa.

Entre 1917 e 1925 estudou no Liceu Gil Vicente. Em 1925 matriculou-se no Curso Preparatório de Engenharia Militar da Faculdade de Ciências.

Em 1928 mudou-se para o Porto, onde se matriculou no curso de Ciências Físico-Químicas, na Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, que concluiu em 1931. Passados três anos realizou o Exame de Estado para o Ensino Liceal, iniciando a actividade docente no Liceu de Camões (Lisboa), continuando no Liceu D. João III (Coimbra) e, depois no Liceu Pedro Nunes (Lisboa), sendo aqui Professor Metodólogo a partir de 1958. A partir de 1946 foi um dos directores da Gazeta de Física, órgão da Sociedade Portuguesa de Física, cargo que exerceu até 1974.

Em 1952 na Atlântida Editora (Coimbra), iniciou a publicação de uma colecção de livros de divulgação, onde, sob a forma de interessantes histórias, se referia à descoberta de importantes instrumentos científicos. A História do Telefone foi o primeiro título desta colecção, que continuou depois com a história da fotografia, dos balões, da electricidade estática, do átomo, entre outras. Em 1953 publicou o Compêndio de Química, para o 3º ciclo.

Em 1956 publicou, com o pseudónimo de António Gedeão, o seu primeiro livro de poesia, Movimento Perpétuo (Coimbra), seguido de outros livros, Teatro do Mundo, em 1958 e Máquina do Fogo, em 1961. Em 1963 publicou a peça de teatro RTX 78/24.
Em 1964, para comemorar o 4º Centenário do nascimento de Galileo Galilei, escreveu o "Poema para Galileo", que foi traduzido para língua italiana por Roberto Barchiesi, e publicado, em edição bilingue, pelo Istituto Italiano di Cultura. Este poema, musicado e cantado por Manuel Freire, conheceu uma grande expansão, tal como a "Pedra Filosofal", ou a "Lágrima de Preta".

Em 1965 foi co-director da revista do Liceu Pedro Nunes Palestra. Esta revista pedagógica publicou-se durante 8 anos. Em 1967, publicou novo livro de poesias, Linhas de Força. Foi membro da direcção do Boletim do Ensino Secundário do Ministério da Educação (de 1973 a 1975 ).
Em 1974, concluindo 40 anos de actividade docente, aposentou-se da Função Pública. Em 1983 tornou-se Sócio Correspondente da Academia das Ciências de Lisboa
e em 1992 passou a Sócio Efectivo.

Em 1984 publicou Poemas Póstumos, de António Gedeão, que foram seguidos, em 1990, pelos Novos Poemas Póstumos.

A 10 de Junho de 1987 foi nomeado, pelo Presidente da República, Grande Oficial da Instrução Pública. Em 1990 foi nomeado Director do Museu Maynense, da Academia de Ciências de Lisboa. Em 1992, a Escola Secundária da Cova da Piedade adoptou como patrono o nome de António Gedeão. A 8 de Junho de 1995, a Universidade de Évora conferiu a Rómulo de Carvalho o grau de Doutor 'Honoris Causa'.

Em 1996, com o patrocínio do Ministério da Ciência e da Tecnologia e com a participação de muitos organismos, promoveu-se uma Homenagem Nacional a Rómulo de Carvalho/António Gedeão. A 15 de Novembro de 1996, foi atribuída a Rómulo de Carvalho da Medalha de Prata da Universidade Nova de Lisboa, na Faculdade de Ciências e Tecnologia.
A 17 de Dezembro de 1996, o Presidente da República atribuiu-lhe a Grã Cruz da Ordem de Mérito de Santiago da Espada, na Escola Secundária Pedro Nunes. A 18 de Dezembro de 1996, foi-lhe atribuída, pelo Ministro da Cultura, a Medalha de Mérito Cultural, na Fundação Calouste Gulbenkian.
Faleceu em 19 de Fevereiro de 1997 na cidade de Lisboa.

Historiador da Ciência
Foi em Coimbra, no Liceu Normal D. João III, onde permaneceu no período de 1950 a 1957, que Rómulo de Carvalho iniciou o seu trabalho de investigação em História da Ciência em Portugal. Aí conviveu com Joaquim de Carvalho e com Silva Dias e entrou em contacto com o Gabinete de Física Experimental pombalino e os trabalhos que sobre este Mário Silva já elaborara. É deste período a sua primeira obra de investigação sobre história da ciência em 1953, o livro Ferreira da Silva, Homem de Ciência e de Pensamento.

Atraíu-o a ciência do século XVIII, por razões que ele próprio explicou numa entrevista ao jornal Público em 24/11/1996: “Foi no século XVIII que se fez a transformação fundamental nos métodos de ensino. Foi o momento exacto em que o domínio da Igreja, que vinha desde o início, foi enfrentada pelos filósofos. Queria saber como é que em Portugal se tinha procedido em relação àquela movimentação que se fazia no mundo ocidental e fui à procura dos possíveis homens de ciência que entre nós tivessem trabalhado nesse sentido.”

Após a sua reforma da docência, Rómulo de Carvalho passou a frequentar assiduamente os fundos documentais da Academia das Ciências e elaborou diversos estudos sobre a própria Academia, como A actividade pedagógica da Academia das Ciências de Lisboa nos séculos XVIII e XIX (1981), a primeira de um conjunto de 16 obras que publicaria sobre o século XVIII com o patrocínio da Academia. Também na Academia estudou, recuperou e catalogou o material que servira na Aula Maynense, trazendo a público a respectiva colecção de Física, sob o título O material didáctico dos séculos XVIII e XIX do Museu Maynense da Academia das Ciências de Lisboa (1993). Estudou também a colecção de Antropologia da Academia, composta sobretudo por peças colhidas por Alexandre Rodrigues Ferreira (1756-1815) na respectiva viagem filosófica ao Brasil (1783-92).
Enquanto historiador, relacionava com frequência a actividade científica desenvolvida em Portugal com a actividade pedagógico/didáctica, pelo que em 1986 publicou a História do Ensino em Portugal, obra de referência no estudo do sistema educativo português.

Divulgador/Pedagogo
Rómulo de Carvalho desenvolveu uma actividade de divulgação científica que marcou gerações em Portugal. Os seus livros de divulgação em Ciência e Tecnologia e os seus artigos em jornais revelavam a sua preocupação com o despertar do interesse dos portugueses pelo conhecimento científico. Na Gazeta de Física publicou, até 1974, 22 artigos de divulgação científica, actualização didáctica e orientação pedagógica.

A divulgação, conforme eu gosto, é aquela que dá aos jovens as respostas que eles nunca chegaram a fazer. ‘Largo um corpo, porque é que ele cai?’ é uma coisa que pode interessar a toda a gente e trata-se de explicar isso em termos agradáveis. Para que possam ler e levá-los a pensar com mais pormenor nesse assunto e noutros.” (Entrevista, Público, 24-11-1996).

A par desta actividade de divulgação, publicou, entre 1953 e 1975, diversos manuais de ensino da Física, da Química, e das Ciências da Natureza, que por várias vezes foram reeditados, tendo sido utilizados durante vários anos nos ensinos liceal e complementar.

Destaque também para os seus cadernos de iniciação científica, onde tratava temas da Física e da Química, e para a colecção de livros “Ciência para Gente Nova”, onde esclarecia os jovens sobre temas da Física e da Química.

Rómulo de Carvalho. in Ciência em Portugal - personagens e episódios. Instituto Camões.2003. [Em linha]. [Consult. em 12-12-2009. Disponível em http://cvc.instituto-camoes.pt/ciencia/p24.html